|
|
As razões
Muitas pessoas se perguntam, especialmente aquelas de gerações antecessoras a massa jovial de hoje, sobre qual a razão das aventuras e expedições, qual o motivo para se arriscar e ainda gastar suas economias para isto. Mas de fato nada sabem sobre a essência humana, o ser humano tem tendência natural ao perigo, a interagir de uma forma mais intensa com a natureza, como nos primórdios da humanidade, uma época onde tínhamos de lutar pela nossa sobrevivência e onde viver era uma aventura intensa. Com o passar da evolução humana nos condicionamos a uma vida sedentária e segura, e aventurar-se hoje não passa de esporte ou o caminho para a fuga da sociedade. Porém alçar-se a uma aventura, desafiando obstáculos e dificuldades impostos pela natureza mostrará um dos caminhos mais nobres que alguém pode percorrer, o caminho da busca pelo sentido da vida, a essência interior, e o que é peculiar em um aventureiro que busca sua essência na natureza é que partem para fazer as coisas as quais tinham sonhado, não apenas para umas férias de duas semanas nas terras maravilhosas civilizadas e podadas, mas durante meses e anos no próprio centro da maravilha, as regiões selvagens, que atraem aqueles que estão aborrecidos ou desgostosos com o homem e suas obras. Elas não só oferecem uma fuga da sociedade, mas também um palco ideal para o indivíduo romântico exercer o culto que freqüentemente faz de sua alma. A solidão e a liberdade total da natureza criam o cenário perfeito para a melancolia ou a exaltação.
Plínio Ricardo.
|